SIMPLES ASSIM


Video Game

Estava lá eu, mais de tia do que de qualquer outra coisa - tenho mil funções anyway. A sala estava lotada de protótipos de gente, fazendo o que os protótipos de gente do sexo masculino mais gostam nessa idade: jogando video-game.

Eu, desempenhando o papel que melhor me cabe, enchendo o saco dos pirralhos, resolvi me focar em um especial. Ele estava do meu lado, fazendo o que protótipos de gente do sexo masculino mais gostam, nessa idade, depois de jogar video-game: jogando mini video-game. Eis que eu, em um movimento de impressionante rapidez, catei o negócio da mão do moleque, pra ver se o jogo prestava. Pokemón. Bom, agora que peguei e ele tá me observando com essa cara de intrigado, vou continuar minha missão.

Levando o bonequinho para onde dava, seguia o jogo de maneira pacífica. De repente:

- Você tá indo pelo caminho errado.

Ignorei solenemente o pivete, apertando qualquer botão do mini negócio super tecnológico, só de raiva. Passaram-se mais alguns instantes, quando ouço:

- Você CONTINUA no caminho errado.

Ligeiramente irritada pela petulância do bonitinho em questão, retruquei:

- E daí? O que acontece se eu for pelo caminho errado?

- Você não vai pelo caminho certo, ué.

Podia ter passado sem essa, fala sério.



Escrito por Cíntia Freitas às 21h19
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O exílio

Uns dias atrás, sob sol escaldante, no centro da cidade, me deparo com um pirata. Sabe aqueles tiozões que sempre aparecem em filmes interpretando piratas sujos e desbocados? Pois então. O cara provavelmente foi pagar uma conta no banco, estava relativamente limpo para um pirata, não usava aquelas roupas características, mas tinha um 'tic' no olho e um cabelo comprido meio branco meio dourado (não estilo dourado-verão, diga-se de passagem, dourado-tio-véio mesmo) preso mal e porcamente; mas era definitivamente um pirata.

Ok, se não fosse pelo fato de hoje, esperando pela minha consulta no médico, eu ter visto uma bruxa daquelas bem bruxas mesmo entrando no consultório. Ela vestia uma roupa estranha, meio marrom. Um sapato combinando com absolutamente nada e unhas impecavelmente roxas. O cheiro dela tomou conta do lugar, era doce. Mas não daqueles doce-jovem-bonita, era doce-poção-com-aroma-gostosinho-para-atrair-crianças. Será que os personagens das histórias e filmes estão sendo liberados do exílio?



Escrito por Cíntia Freitas às 21h21
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